No dia 1 de Agosto de
1942, nasceu em Vila Nova de Milfontes a Colónia Balnear, com a
finalidade de proporcionar à Juventude Católica Feminina, a estadia na
praia, para o seu robustecimento físico, aperfeiçoamento espiritual e
desenvolvimento social e apostólico.
Inicialmente foram alugadas as casas onde ficaram hospedadas as 24
filiadas da Juventude Católica Feminina e os 2 sacerdotes. No ano
seguinte, a mesma equipa estava reunida em Milfontes, mas desta vez
melhorou-se a situação da Colónia e alargou-se a sua capacidade e
aperfeiçoou-se a sua esfera de acção concreta, estendendo-se às
crianças da Diocese de Beja, os benefícios da praia.
Nesta altura, descobriu-se uma pequena cerca com uma casa no meio que
tinha uns pequenos quartos e uma sala térrea que poderia vir a servir
de refeitório. Mas foi em 1944, que se arrendou o dito imóvel, ficando
a servir de sede da Colónia.
O Dono deste imóvel, Sr. Simões, de Cercal do Alentejo, tendo
enviuvado, resolveu vender o imóvel que tinha arrendado. Era, pois
necessário deixá-lo ou ... comprá-lo. Custava naquela altura 28
contos.(...) Era uma quantia incomportável para as posses da Direcção
da Juventude Católica Feminina. Mas, naquela altura, encontravam-se em
Milfontes, a tomar os ares da praia, duas senhoras, ilustres pelo seu
sangue, e bem conhecidas pela sua generosidade para com a causa cristã.
Eram as Senhoras D. Maria Madalena da Silva Falcão de Odemira, e D.
Maria Julia de Brito Pais Falcão, de Colos.
Foi por inspiração Divina, que o Senhor Padre Joaquim Maria Lourenço,
então Assistente Eclesiástico da Juventude Católica Feminina,
procurou as duas Senhoras acima referidas, o que impressionou vivamente
aquelas almas que responderam:
"- Acabar a Colónia de Férias?! ... não pode ser! Nós vamos
fazer a compra que nos propõe". (1) Perante esta inteligente e
generosa resposta, o Sr. Padre Lourenço, (Futuro Fundador do Instituto
Nossa Senhora de Fátima e do actual Colégio de Nossa Senhora da
Graça), (2) respondeu: "Minhas Senhoras! Vossas Excelências
acabaram de lançar a primeira pedra de uma grande obra. O futuro o
dirá". Era uma profecia! ...
Foi o registo definitivo do nascimento desta simpática e importante
iniciativa de carácter religioso-social que foi a Colónia de Férias
da J. C. F. de Beja e que, mais tarde, tomou o nome de "Colónia
Balnear de Nossa Senhora de Fátima".
Era apenas o começo, precisava-se de dinheiro, para se atingirem os
objectivos em vista. Sem o vil metal indispensável, na verdade, assim
é. Sem ele, na complexidade das coisas deste mundo, nem as causas
morais e espirituais podem desenvolver-se ou sequer realizar-se. É
assim a condição humana ... e a Colónia de Férias precisava de se
desenvolver. A quem pedi-lo? Estava-se em plena guerra mundial.
Recorreu-se ao Estado cujas finanças estavam, particularmente
prósperas. Através do Senhor Subsecretário da Assistência Social,
foi recebido o montante de 15 contos. Com estas e outras ajudas, ia
crescendo a obra. As necessidades eram crescentes, por isso o lema era
"sempre mais e melhor" e mãos à obra. Feitos dois projectos
e um deles aprovado, eram necessários 1700 contos para a Colónia
Balnear. Através do Sr. Dr. Trigo de Negreiros, então Subsecretário
da Assistência Social, conseguiu-se 300 contos. O resto por outras
bandas (...). Com a ajuda de amigos, entre os quais o Sr. Domingos de
Carvalho Bragança, afurtunado Alentejano que vivia em Lisboa,
"homem que fazia bem a muita gente", fez-se uma tourada em
Beja, com um ilustre Cartel, Manuel dos Santos, a melhor vedeta
tauromática desse tempo, João Núncio e Simão da Veiga. A corrida foi
marcada para Beja e realizou-se no dia 10 de Agosto. "dia da
tradicional e afamada Feira de São Lourenço". Não havia memória
de uma enchente assim. Foi um êxito e a receita líquida foi de 113
contos.
Muitas foram as ofertas e doações de gentes amigas que se encontravam
no Brasil, aos que por cá ficaram, o que é certo é que a obra foi
crescendo sempre em sintonia com os Bispos da Diocese de Beja.
Anos passados e mais uma compra. Estávamos em 1951, gastaram-se na
Colónia Balnear mais 591 contos com a compra do terreno, onde hoje
está instalada a Instituição de que falamos, construção de fossas,
instalações sanitárias, esgotos, ampliação do edifício, central
eléctrica, mobiliário e outros bens necessários.
Se inicialmente a colónia foi destinada aos organismos católicos,
reconheceu-se desde muito cedo a necessidade de prestar assistência às
crianças pobres de todo o Distrito de Beja.
A Colónia Balnear de Nossa Senhora de Fátima, tornou-se uma escola de
preparação para a vida, uma escola de boa formação científica,
moral e social cujos resultados se têm feito sentir ao longo dos muitos
anos de existência. Foi assim que em 1 de Agosto de 1957 se inaugurou o
que é hoje o Instituto de Nossa Senhora de Fátima, para dois anos mais
tarde abrir o Colégio de Nossa senhora da Graça, sob a orientação
das Irmãs da caridade do sagrado Coração de Jesus.
O Colégio abriu em Outubro de 1959 com 7 alunas. No ano seguinte eram
17, no outro 27 e hoje são de facto 670 alunos, matriculados entre o
5.º e o 12.º ano, contabilizando também com 50 crianças do nosso
infantário.
Hoje o Colégio está localizado no centro da Vila, numa zona verde e a
descair sobre o rio Mira, com vista sobre o Oceano Atlântico. Estamos
numa zona privilegiada, contamos com quase 8 hectares de terreno, entre
os quais destacamos a nossa horta e os espaços em relva natural, e mais
de 4 mil metros de área de construção, entre os quais destacamos as
salas de aula, a mediateca, o alojamento hoteleiro, os polidesportivos
em relva sintética, o ginásio, entre muitos outros espaços que tornam
a vida de quem aqui trabalha e estuda mais agradável.
